DUARTE, Natália de Souza (2000)
O Erro que Vira Acerto
O Erro que Vira Acerto.
Distrito Federal, 2000. Dissertação de Mestrado Acadêmico (Pós-graduação em Educação)
Universidade de Brasília.
Nome do Orientador: Benigna Maria de Freitas Villas Boas
Área: Ciências Humanas: Educação
Assunto: Em Análise
Referencial Teórico: Em Análise
Natureza do Texto: Em Análise
Resumo: Esta pesquisa analisou a relação que o professor estabelecia com o "erro" do aluno por meio da avaliação. Foi uma pesquisa colaborativa, realizada com a equipe da Escola Classe 312 Norte e com a equipe de professores alfabetizadores da Câmara dos Deputados, das quais faço parte, . Buscou compreender as razões da relação do professor com o "erro", propiciar reflexões sobre essa relação, sobre as práticas avaliativas e seus fundamentos, procurando a superação da relação que, por vezes, demonstraram as características usuais da avaliação: ser classificatória e punitiva. A avaliação é uma categoria do trabalho pedagógico que dá sentido e orienta a didática apoiando a aprendizagem dos alunos. Porém, com a divisão social do trabalho e a escola de massa obrigatória para todas as crianças, a avaliação foi mudando seu propósito, transformando-se em instrumento de classificação, seleção, punição e exclusão. É por meio da avaliação que o professor relaciona-se com o "erro" do aluno, buscando a ordem e a disciplina em sala de aula ou respeitando-o e aproveitando-o didaticamente. Essa pesquisa permitiu a percepção de que, para o professor, o "erro" pode ser de duas classes bem distintas: o "erro" de atitudes e o "erro" cognitivo. O "erro" de atitudes é percebido por meio da avaliação informal e incide sobre a pessoa do aluno, seus valores, seu modo de vida, podendo chegar a seus pais. Não favorece a aprendizagem, busca a disciplina excessiva e a ordem em sala, subjugando os alunos. É percebido, principalmente, pela avaliação informal, sendo constante preocupação do professor. O "erro" cognitivo diz respeito às hipóteses que fazemos sobre o conhecimento que está se construindo. A avaliação que percebe esse tipo de "erro" e reorienta o trabalho pedagógico é a que possibilita apoiar a aprendizagem de todos os aluno. Como hipótese que o aluno faz no seu processo de aprendizagem, não há sentido em punir esse tipo de "erro", sob pena de que toda possibilidade de aprendizagem que a avaliação oferece seja desperdiçada. O "erro" é um esquema de pensamento que construímos. É inteligente, necessário e viabiliza a aprendizagem, portanto, merece respeito. O "erro" possibilita ao professor o entendimento das hipóteses, permitindo a organização de um trabalho pedagógico, procedente a cada um dos alunos, relacionando-se à pedagogia diferenciada. Pesquisando em uma escola pública do Distrito Federal e num programa de alfabetização na Câmara dos Deputados pude perceber como as professoras entendiam o "erro", relacionavam-se com ele e como transformaram uma relação, por vezes, punitiva e equivocada em outra que passou a apoiar a aprendizagem de todos os alunos.