PORTO, Bernadete de Souza (2001)
Bola de Meia, Bola de Gude - a Criatividade Lúdica, a Jornada e a Prática Pedagógica do Professor-Alfabetizador
Bola de Meia, Bola de Gude - a Criatividade Lúdica, a Jornada e a Prática Pedagógica do Professor-Alfabetizador.
Rio Grande do Sul, 2001. Tese de Doutorado (Pós-graduação em Educação)
Universidade Federal de Santa Maria.
Nome do Orientador: Silvia Helena Vieira Cruz
Área: Ciências Humanas: Educação
Assunto: Em Análise
Referencial Teórico: Em Análise
Natureza do Texto: Em Análise
Resumo: A busca, no cotidiano escolar, de uma síntese entre os aspectos mecânicos e de construção de significados na aprendizagem da língua escrita, a apropriação desta concepção pelo professor e o papel da ludicidade nesse processo de apropriação constituem o objeto do presente trabalho. Com o objetivo de analisar a ludicidade como elemento formador básico do alfabetizador, foi realizada uma pesquisa-ação junto aos professores de educação infantil de uma escola da rede pública municipal de Fortaleza, desenvolvida em três processos básicos: investigação, educação e ação. Na investigação, participei do dia a dia da escola, procurando registrar e analisar as concepções sobre sociedade, educação, alfabetização e ludicidade que embasavam a prática docente, bem como observar a manifestação destas na prática pedagógica. Assim, caracterizei a rotina da escola como um todo, e de uma das quatro classes de 1ª série do turno da tarde, especialmente. Após as observações iniciais do cotidiano da escola e da sala de aula, realizei, conjuntamente com os professores de educação infantil, oficinas sobre a alfabetização e sua relação com a ludicidade. Nas oficinas, procurei refletir sobre a prática educativa na escola, especialmente sobre ludicidade (ou a ausência dela) na educação das crianças. A vivência possibilitou o confronto com as questões teóricas e pedagógicas apontadas como principais entraves a uma prática mais coerente com o discurso proclamado progressista e contribuiu para a formação lúdica dos professores. Este processo foi denominado fase de educação e aconteceu paralelamente à ação, onde desenvolvi um trabalho conjunto de planejamento e execução de ações para introduzir elementos de ludicidade na ação pedagógica da professora da classe escolhida, procurando nos pressupostos sócio-interacionistas (especialmente Vygotsky, Bakhtin, Luna e Leontiev) a base para essa intervenção direta. A pesquisa demonstrou que, apesar de apresentarem um discurso desejando a transformação de suas práticas pedagógicas, os professores têm dificuldade de romper com o modelo tradicional de ensino. Ficou evidente a importância de um processo de educação continuada, em que a teoria e a prática do brinquedo se façam presentes, no sentido de possibilitar aos professores que apresentam discursos progressistas uma formação lúdica que proporcione maior coerência, autonomia e criatividade, permitindo-lhes uma maior aproximação com a infância, seu desenvolvimento e suas necessidades.