DELGADO, Evaldo Inácio (2001)
De Leiga a Titulada: o Caso de Uma Professora Alfabetizadora de Cacoal/Ro
De Leiga a Titulada: o Caso de Uma Professora Alfabetizadora de Cacoal/Ro.
São Paulo, 2001. Dissertação de Mestrado Acadêmico (Pós-graduação em Educação)
Universidade Federal de São Carlos.
Nome do Orientador: Roseli Rodrigues de Mello
Área: Ciências Humanas: Educação
Assunto: Em Análise
Referencial Teórico: Em Análise
Natureza do Texto: Em Análise
Resumo: A partir do Estudo de Caso de tipo qualitativo, pesquisou-se a trajetória de uma professora alfabetizadora que iniciou sua carreira sem a devida habilitação e cujo curso veio a concluir após sete anos de experiência docente. Considerando que a professora, em seu percurso docente, passa por três momentos distintos (como leiga, durante a formação básica e após estar titulada), ao proceder a análise dos dados, foi seguida a ordem cronológica das experiências da professora no processo de construção de sua carreira docente. Frente a análise do material coletado (entrevistas, documentos e observações na escola e em sala de aula) pode-se dizer que: 1) sem domínio de conteúdo e sem conhecimento especializado sobre o ensino, no início da carreira, a professora recorreu ao resgate de práticas de seus antigos professores (modelos que se mostraram insuficientes), à reação das crianças às atividades propostas, à orientações de professores mais experientes e de técnicos da Divisão de Ensino, a livros didáticos, e à outras leituras; 2) insatisfeita, buscou um curso de Magistério para obter resposta aos problemas que enfrentava (principalmente saber lidar com alunos que não aprendem); 3) estruturado em moldes antigos, veiculando conteúdo desatualizado e contando com professores mal preparados, segundo a professora, o curso de Magistério pouco contribuiu para a alteração de sua prática; 4) depois de formada, teve de enfrentar a implantação de uma nova política pública e nova abordagem de ensino (o Ciclo Básico e o construtivismo), contando com ações de formação continuada por parte de técnicos do sistema educacional; 5) a professora apresenta em seu discurso elementos do que foi difundido pelas ações de formação continuada; critica o desencontro de orientações dadas por técnicos do sistema educacional. Como conclusão do estudo tem-se que a formação inicial e as ações de formação continuada vividas pela professora parecem ter desprezado características marcantes do tipo de caso em estudo: a falta de domínio de conteúdo a ser ensinado e as crenças que a professora foi desenvolvendo em sua prática de leiga. No caso dos conteúdos, a professora mesma reconhece necessitar saber mais. Quanto às crenças desenvolvidas pela prática, ora se apresentam como recurso, ora como impeditivo para novas aprendizagens; assim, tais situações de formação precisariam considerar estas crenças como material intelectual a trabalhar (para afirmá-las ou para superá-las quando frágeis e infundadas).