SILVA, Irene Debarba Antunes da (2003)
O Papel da Mediação, da Dialogia e da (Re)Significação do Ato de Escrever no Processo de Construção da Língua Escrita
O Papel da Mediação, da Dialogia e da (Re)Significação do Ato de Escrever no Processo de Construção da Língua Escrita.
Santa Catarina, 2003. Dissertação de Mestrado Acadêmico (Pós-graduação em Educação)
Universidade Regional de Blumenau.
Nome do Orientador: Hilário Inácio Bohn
Área: Ciências Humanas: Educação
Assunto: Em Análise
Referencial Teórico: Em Análise
Natureza do Texto: Em Análise
Resumo: Apoiada na experiência adquirida na área da alfabetização, assim como alimentada pela curiosidade epistemológica em torno desta temática, propus ao iniciar este trabalho, pesquisar O papel do corpo no processo de construção da língua escrita. Para tanto, optei por desenvolver uma pesquisa-ação, elegendo como sujeitos a serem pesquisados alunos de duas turmas de oito anos, do primeiro Ciclo de Formação, ainda não alfabetizados. Entretanto, ao estabelecer as primeiras interações com os mesmos, com o intuito de coletar dados preliminares a pesquisa, afloraram dados que, posteriormente interpretados, submeteram o projeto inicial a um processo de metamorfose. Isto porque, por meio da escuta das vozes das crianças entrevistadas se configurou a possibilidade de um novo objeto de estudo. Desse modo, as vozes ouvidas, além de confirmarem a interdição dos corpos no processo de construção da língua escrita, também apontaram a quase ausência da mediação, da dialogia e da significação do ato de escrever. Assim sendo, orientada pelo movimento ação-reflexão-ação, característico da pesquisa-ação, passei a investigar O papel da mediação, da dialogia e da (re) significação do ato de escrever no processo de construção da língua escrita. Com este objetivo em mente, planejei, progressivamente, levando em conta as informações coletadas em cada sessão de aula, dez encontros de quatro horas cada. Estes aconteceram entre seis de novembro a onze de dezembro. Neles procurei mediar a relação entre a criança cognoscente e a escrita convencional, (re) significar o ato de escrever, instaurando para tanto, uma relação dialógica no contexto da sala de aula. Durante os encontros, um olhar atentamente voltado a trajetória rumo a escrita convencional permitiu planejar atividades direcionadas a zona de desenvolvimento proximal dos sujeitos pesquisados. Desse modo, estes assumiram um importante papel no delineamento das ações desenvolvidas neste estudo de caráter qualitativo. Considerando que ao iniciar esta pesquisa, das doze crianças não alfabetizadas, nove apresentavam hipótese silábica-alfabética, duas hipótese silábica e uma hipótese pré-silábica, constatei ao conclui-la considerável avanço nas hipóteses de escrita apresentadas pelas mesmas. Isto porque, das doze crianças em processo de alfabetização, três avançaram para a hipótese silábica-alfabética e nove atingiram a hipótese alfabética. Este resultado veio confirmar a hipótese inicial de que uma prática alfabetizadora que parte do pressuposto de que a criança se apropria progressivamente da língua escrita, nas e pelas interações sociais, centrando assim sua proposta na mediação, na dialogia e na (re) significação do ato de escrever, pode contribuir no, e para o avanço dos níveis de conceitualização de escrita de crianças que vem apresentando "dificuldades" no processo de alfabetização. Este resultado também pode ser considerado um indicador do relevante papel que a mediação, a dialogia e a (re) significação do ato de escrever assumem na alfabetização.