CUNHA, Alessandra Marques da (2004)
Professoras Alfabetizadoras e a Língua Materna: Relacionando Expectativas e o Conteúdo Ensinado
Professoras Alfabetizadoras e a Língua Materna: Relacionando Expectativas e o Conteúdo Ensinado.
São Paulo, 2004. Dissertação de Mestrado Acadêmico (Pós-graduação em Educação)
Universidade Federal de São Carlos.
Nome do Orientador: Claudia Raimundo Reyes
Área: Ciências Humanas: Educação
Assunto: Em Análise
Referencial Teórico: Em Análise
Natureza do Texto: Em Análise
Resumo: Este estudo foi desenvolvido com professoras alfabetizadoras da rede municipal de ensino, em uma cidade do interior de São Paulo, durante o ano letivo de 2003. A pesquisa teve por objetivo verificar as expectativas dessas professoras com os conteúdos que elas ensinariam aos seus alunos sobre a língua materna, relacionando essas expectativas com o conteúdo que diziam ter ensinado, além de identificar os conteúdos mais trabalhados por elas e a forma de seu desenvolvimento. Esse trabalho investigativo partiu do pressuposto de que toda e qualquer metodologia de ensino articula uma opção política que abrange uma teoria de compreensão e interpretação dos mecanismos usados em sala de aula. Dessa forma, os conteúdos que são ensinados, o enfoque que se dá a eles, as estratégias de ensino e outros são encaminhados de acordo com a opção conceitual do professor, a qual não depende só da sua formação, mas também da sua concepção de mundo, homem e linguagem, construída durante seu processo de socialização. A entrada da criança no mundo da escrita é entendida como um processo simultâneo de alfabetização e letramento no qual a aprendizagem ultrapassa a dimensão técnica de leitura e escrita. O estudo foi organizado em duas etapas: a) aplicação de um questionário com perguntas fechadas abrangendo conteúdos de 1ª a 4ª série sobre expressão oral, leitura e escrita; b) uma entrevista semi-estruturada foi realizada com os professores. Os dados obtidos através desses instrumentos revelaram que o ensino da leitura e da escrita, em sua grande maioria, era concebido como aquisição crescente dos elementos constitutivos da língua - da menor unidade para unidades maiores (letras, sílabas, palavras e frases), conforme outras pesquisas já haviam indicado. O texto era trabalhado como pretexto para identificação dessas unidades menores. Embora a leitura fosse prática constante nas salas de aula, geralmente era realizada pelas professoras. As ocasiões de leitura ainda centram-se em poucos gêneros, revelando que as oportunidades de leitura na escola ainda não contemplam a variedade do material literário disponível. Sobre os aspectos relacionados à escrita, os dados apontaram que tanto a ortografia quanto a gramática foram trabalhadas de forma mais assistemática do que sistemática. As professoras demonstraram ter consciência da importância do ensino das normas ortográficas, mas a forma como desenvolviam as atividades em sala valorizava a repetição e memorização de regras, em detrimento da reflexão sobre as mesmas. Talvez isso seja decorrente do fato de algumas professoras desconhecerem a utilização das regularidades e irregularidades da língua, visto que utilizavam as mesmas estratégias para tratar de aspectos ortográficos que tinham origens diferentes. Quanto ao ensino da gramática, esse foi pouco representativo em comparação aos demais conteúdos.