CRAVEIRO, Ana Nery Marinho (2004)
Dos Bancos Escolares à Docência: as Relações Entre os Saberes da Formação Escolar dos Professores e Suas Concepções Sobre Dificuldades de Aprendizagem na Língua Escrita
Dos Bancos Escolares à Docência: as Relações Entre os Saberes da Formação Escolar dos Professores e Suas Concepções Sobre Dificuldades de Aprendizagem na Língua Escrita.
Ceará, 2004. Dissertação de Mestrado Acadêmico (Pós-graduação em Educação)
Universidade Federal do Ceará.
Nome do Orientador: Inês Cristina de Melo Mamede
Área: Ciências Humanas: Educação
Assunto: Em Análise
Referencial Teórico: Em Análise
Natureza do Texto: Em Análise
Resumo: O tema dificuldades de aprendizagem na língua escrita está presente em muitos trabalhos da área da educação, dada a permanência de problemas que, no Brasil, afetam a vida escolar de muitos alunos, particularmente os de escolas públicas. Esta pesquisa tomou como objeto de estudo as concepções de professores acerca deste tema, considerando-as fundamentais para o enfrentamento e superação de muitos destes problemas. Situa-se, portanto, no campo de investigação dos saberes da docência. Teve como objetivo estabelecer relações entre essas concepções e os saberes construídos durante a formação escolar das professoras, ou seja, buscar possíveis origens destas concepções. Foram utilizados como referencial teórico para análise destas concepções os estudos da psicogênese da língua escrita, desenvolvidos por Emília Ferreiro e Ana Teberosky, e as abordagens integrativas sobre o desenvolvimento da criança e sua aprendizagem, defendidas por Vítor da Fonseca, Nadia Bossa, César Coll, dentre outros. A fundamentação teórica sobre os saberes da docência foi possibilitada pelos estudos de Maurice Tardif e de outros autores. Trata-se, metodologicamente, de uma pesquisa qualitativa ? estudo de caso, realizada por meio de questionários e entrevistas semi-estruturadas. Um estudo exploratório foi feito com quatorze professoras que ministram aulas na 1ª e/ou 2ª série do Ensino Fundamental público, no Município de Fortaleza e, indicou algumas temáticas abordadas nos roteiros de entrevistas. Para a realização das entrevistas, foram selecionadas 6 professoras ? três da 1ª série e três da 2ª, considerando-se os seguintes critérios: ter formação superior em Pedagogia, ter pelo menos três anos de experiência no ensino dessas séries, estar atuando na mesma escola há pelo menos três anos na 1ª e/ou 2ª série e ter sido alfabetizada na escola pública. Foram coletados dados sobre as concepções acerca das dificuldades de aprendizagem na língua escrita e sobre as histórias de vida das professoras, referentes aos primeiros anos escolares. A análise dos dados indica uma visão das professoras sobre a língua escrita, predominantemente ?adultocêntrica?, na qual sua aquisição é percebida como uma garantia de obter status social na vida futura. A pesquisa evidenciou a fragilidade nos saberes docentes sobre a evolução da escrita pela criança e uma confusão conceitual entre o processo de aprendizagem e o de ensino deste conhecimento, realizado por intermédio de famílias silábicas. Indica o entendimento das professoras sobre os níveis de escrita como dificuldades de aprendizagem e que elas se referem aos alunos com baixo desempenho como sendo incapazes para aprender a ler e escrever. As professoras apontam as causas das dificuldades de aprendizagem para o aluno e a sua família que, segundo elas, não dá a assistência necessária à aprendizagem escolar dos filhos. A pesquisa revela estreita relação entre as concepções sobre dificuldades de aprendizagem na língua escrita e as influências de experiências escolares por elas vividas que se apresentam hoje como saberes, participando na construção de suas concepções. O estudo constatou a importância de se repensar os modelos de formação de professores ,apontando, como sugestão, a abordagem das histórias de vida, para a transformação de alguns saberes originados nas experiências escolares que resistem ao contato com o saber científico.