LEMOS, Andréa Alessandra (2005)
Identificação dos Níveis Funcionais de Leitura e Escrita em Crianças de 2ª Série do Município de Belém
Identificação dos Níveis Funcionais de Leitura e Escrita em Crianças de 2ª Série do Município de Belém.
Paraná, 2005. Dissertação de Mestrado Acadêmico (Pós-graduação em Psicologia)
Universidade Estadual do Centro Oeste.
Nome do Orientador: Marilice Fernandes Garotti
Área: Ciências Humanas: Psicologia
Assunto: Em Análise
Referencial Teórico: Em Análise
Natureza do Texto: Em Análise
Resumo: As avaliações oficiais promovidas pela rede oficial de ensino restringem-se, geralmente, a volumosas análises estatísticas que não permitem localizar em que níveis de leitura e escrita os alunos das escolas públicas apresentam as maiores dificuldades. Com o objetivo de traçar um perfil de tais dificuldades, o presente estudo tentou identificar o repertório de leitura e escrita de alunos supostamente alfabetizados, matriculados na segunda série do ensino fundamental de Belém. Para isto, foi elaborado um instrumento de avaliação fundamentado na Taxonomia do Comportamento (Ribes & López, 1985), que organiza as competências de leitura e escrita em cinco níveis funcionais (funções): contextual, suplementário, seletor, substitutivo referencial e substitutivo não-referêncial. Foram avaliadas 120 crianças sorteadas entre alunos de oito escolas que concentravam crianças provenientes dos diferentes bairros de Belém. O Instrumento de Avaliação de Níveis de Escrita e Leitura (IANELE) era composto por 19 atividades divididas em duas morfologias (escrita e leitura). As tarefas solicitadas envolviam habilidades previstas pelo currículo para crianças de segunda série, como por exemplo, leitura e escrita sob ditado de palavras e frases (função contextual); complementação de orações, ordenação de elementos em frases (função suplementária); seleção de palavras para completar orações, leitura de pequenas estórias e respostas a questões literais (função seletora); leitura de estórias e respostas a questões não literais, escrita de estórias a partir de seqüências de figuras, escrita de bilhetes a partir de instruções (função referencial); leitura de estórias para opinar, interpretação de ditos populares, redação com temas abstratos (função não-referencial). Na análise do instrumento, os coeficientes Alpha de Cronbach indicaram níveis de consistência interna maiores que 0,95; as inter-correlações entre os níveis funcionais foram significativas (p<0,01). Para a análise da escrita e leitura, cada tarefa era pontuada de acordo com uma escala de 0 (não lê e não escreve) a 4 (lê e escreve sem erros). Os resultados mostraram que a pontuação obtida pelos alunos decrescia com o aumento de complexidade dos níveis, confirmando a organização hierárquica da aprendizagem de leitura e escrita. Pontuações acima da média (2,0) foram obtidas para os níveis mais básicos (contextual e suplementário); em níveis mais complexos, que exigiam compreensão de leitura literal e não literal, a grande maioria das crianças permaneceu abaixo da média. Para uma análise mais molecular do desempenho das crianças, foram sorteados oito cadernos de respostas (quatro meninos e quatro meninas). As categorias de análise compreendiam atividades envolvidas em fonologia, morfologia, sintaxe e recursos estilísticos. Os resultados indicaram que as categorias com maior freqüência de erros eram fonologia e sintaxe, denotando falhas que remontam ao início da alfabetização. Os resultados deste estudo sugerem que o IANELE mostrou-se um instrumento adequado para detectar problemas de lecto-escritura em crianças supostamente alfabetizadas, além de fornecer subsídios para o ensino das atividades deficitárias. Infelizmente, esses resultados também engrossam as estatísticas referentes ao analfabetismo em sala de aula.