SIQUEIRA, Mauro Torres (2005)
Representações e Apropriações do Ensino Tradicional, Por Professores Alfabetizadores da Escola Pública
Representações e Apropriações do Ensino Tradicional, Por Professores Alfabetizadores da Escola Pública.
São Paulo, 2005. Dissertação de Mestrado Acadêmico (Pós-graduação em Serviço Social)
Universidade Estadual Paulista Júlio Mesquita Filho.
Nome do Orientador: Djanira Soares de Oliveira e Almeida
Área: Ciências Humanas: Sociologia
Assunto: Em Análise
Referencial Teórico: Em Análise
Natureza do Texto: Em Análise
Resumo: Nossa pesquisa tem abordagem qualitativa, isto é, envolve descrições detalhadas de situações, eventos, comportamentos observados e citações diretas das pessoas envolvidas acerca de suas experiências, atitudes, crenças e pensamentos. Coletamos dados sem tentar enquadrar os resultados em categorias pré-determinadas e padronizadas. Assim realizamos entrevistas semi-estruturadas com nossos sujeitos (professores alfabetizadores), com o objetivo de apreender representações plurais do ensino tradicional, mais próximas ou distantes do referencial teórico de Herbart e seus seguidores, sobretudo. Na análise dos dados, valemo-nos da análise de conteúdo, técnica que se mostrou mais eficaz segundo nossas necessidades. Para discutir representações e apropriações diferenciadas nos amparamos no referencial teórico de Moscovici e Chartier. Pudemos notar entre os professores entrevistados que, embora haja uma pressão para que usem novas maneiras de ensinar, como o construtivismo ou o sócio-construtivismo, eles se sentem inseguros para trabalhar com essas novas metodologias, pois os resultados são menos rápidos do que estavam acostumados na prática de ensino tradicional. Na verdade, nota-se ser unanimidade entre os professores a opção por várias práticas de ensino no processo de alfabetização, não acreditam que um único método, muitas vezes produzido abstratamente, longe das salas de aulas, possa responder às suas necessidades de alfabetizadores. E apesar da pressão que sofrem com a tendência de proletarização da categoria, ainda conseguem manter sua independência dentro da sala de aula. Notamos que essa pressão para a padronização do trabalho docente se faz mais presente na esfera municipal de ensino, onde as instituições controladoras estão mais próximas, mas ainda assim ainda é possível notar a autonomia que os professores se outorgam dentro de sua sala de aula, isso em todas as esferas do sistema de ensino, até mesmo na esfera municipal. Essa pesquisa procura investigar os resquícios e permanências do ensino tradicional na prática de professores alfabetizadores de crianças no município de Franca, considerando para tanto as representações que esses sujeitos têm da teoria e da prática do ensino tradicional, situando-as no quadro mais geral da educação. Assim, analisando a realidade educacional da alfabetização na referida cidade, pudemos notar que muitos dos professores que se auto-intitulam construtivistas, continuam tendo como referencial a maneira pela qual foram alfabetizados e instruídos. Ainda que se esforcem para serem inovadores em sua sala de aula, muitos não conseguem se distanciar do referencial de ensino tradicional. O método silábico, mal visto por alguns professores, continua sendo prática corrente entre muitos outros. Considerando estes aspectos, pode se concluir, primeiro, que mesmo produzindo-se muitas inovações no campo educacional, poucas destas chegam até os docentes alfabetizadores; segundo, que o fazer de cada docente se constrói na sua prática diária, e não numa relação abstrata entre sujeito e conhecimento e terceiro, que o professor se sente, em muitos casos, inseguro diante das novas práticas de ensino e quando eles as aplicam, comumente não atingem os resultados esperados, e acabam abandonando-as ou mesclando as mesmas com sua principal representação do que seja a aula, ou seja, o referencial tradicional de ensino.