SOARES, Fátima Aparecida (2005)
O Trabalho em Grupo Como Instrumento Operatório no Processo de Alfabetização: Relações Entre Concepções e Práticas Pedagógicas
O Trabalho em Grupo Como Instrumento Operatório no Processo de Alfabetização: Relações Entre Concepções e Práticas Pedagógicas.
São Paulo, 2005. Dissertação de Mestrado Acadêmico (Pós-graduação em Educação)
Universidade Estadual Paulista Júlio Mesquita Filho.
Nome do Orientador: Dair Aily Franco de Camargo
Área: Ciências Humanas: Educação
Assunto: Em Análise
Referencial Teórico: Em Análise
Natureza do Texto: Em Análise
Resumo: Objetivou-se diagnosticar qual a orientação para trabalho em grupo e como ela é recebida pelas professoras de primeira série de ensino fundamental da rede Municipal de Educação; buscou-se também identificar qual a concepção dessas professoras sobre o tema e como esta se manifesta nas práticas pedagógicas. A investigação ocorreu por meio de entrevistas com as professoras e com a coordenadora pedagógica da Secretaria Municipal da Educação, utilizando-se da metodologia observacional em situação real de aula. Foi observado que o entendimento da coordenadora da Secretaria sobre trabalho em grupo se identifica, a princípio, com uma concepção orientada pelo conflito cognitivo, porém, sem uma fundamentação teórica mais bem estabelecida, também não observada nos textos usados na capacitação dos professores. A maioria das professoras justifica a pouca ocorrência de atividades em grupo alegando que provocam indisciplina e sobrecarga de trabalho, além de se sentirem despreparadas e inseguras. Nenhuma professora referiu-se ao conflito cognitivo e apenas duas delas perceberam o trabalho em grupo como troca de idéias; seis professoras entendem a intervenção de um aluno no papel de professor como uma situação de trabalho em grupo e para duas delas o trabalho em grupo é um momento de entretenimento e descontração. Foi muito freqüente a associação entre trabalho em grupo e disposição física das carteiras e alunos nas salas, porém não foi observada sua relação com o desempenho em escrita, que esteve relacionado à interação cooperativa nas tarefas escolares. Discutir as atividades a serem realizadas em classe foi condição necessária e suficiente para se observar desempenho superior em escrita (acima da metade da escala de desempenho) e não discutir essas atividades foi condição necessária e suficiente para se observar desempenho inferior em escrita (abaixo da metade da escala de desempenho). A permissão irrestrita de diálogo entre alunos foi condição suficiente para se observar desempenho superior em escrita e a proibição total de diálogo entre alunos foi condição suficiente para se observar desempenho inferior. Um pequeno nível de conversa implicou em observar desempenhos inferiores em escrita, enquanto que níveis mais elevados foi condição necessária, porém não suficiente para se observar desempenhos superiores. Apenas três salas apresentaram valores positivos para um índice de cooperação proposto, alcançando o máximo de 40% de uma sala de referência ideal para o trabalho em grupo, indicando que as condições para esse tipo de trabalho não se fazem presentes. Os coordenadores das escolas transmitem informações à Secretaria da Educação de que está sendo implementado trabalho em grupo, porém, tal prática foi observada durante apenas 3% do período letivo observado. Apesar das professoras afirmarem receber alguma orientação da Secretaria da Educação para esse tipo de trabalho, ressaltam uma falta de continuidade, ou de um acompanhamento mais incisivo e comprometido.