OLIVEIRA, Edivone Meire (2008)
Variação Linguística Rural e Alfabetização de Crianças: Avaliação de Intervenções Linguísticas e Metalinguísticas
Variação Linguística Rural e Alfabetização de Crianças: Avaliação de Intervenções Linguísticas e Metalinguísticas.
Ceará, 2008. Tese de Doutorado (Pós-graduação em Educação)
Universidade Federal do Ceará.
Nome do Orientador: Maristela Lage Alencar
Área: Ciências Humanas: Educação
Assunto: Em Análise
Referencial Teórico: Em Análise
Natureza do Texto: Em Análise
Resumo: As atividades essenciais à sobrevivência em culturas grafocêntricas impõem a língua escrita. O fracasso na aquisição dessa competência obstaculiza um amplo conjunto de possibilidades interativas de comunicação e expressão. Todavia, não obstante os altos índices de escolarização, os resultados das avaliações nacionais e estaduais apontam o fracasso da escola pública brasileira na alfabetização de seus alunos, sobretudo no caso das crianças partícipes de variação lingüística rural. Portanto, em 2006, efetivou-se um estudo de caso avaliativo, de caráter etnográfico, mediante uma pesquisa-intervenção, objetivando-se analisar as possíveis influências de uma variação lingüística à alfabetização infantil. Avaliaram-se os efeitos de intervenções pedagógicas ao desenvolvimento de competências lingüísticas e metalingüísticas em uma turma multisseriada com alunos de 1o e 2o anos do Ensino Fundamental, de uma escola rural, com idades variando entre 6 e 12 anos. Diversificados procedimentos metodológicos foram utilizados à consecução da pesquisa: i) observações da comunidade, escola e sala de aula; ii) análise de documentos; iii) entrevista à professora da turma e coordenadora pedagógica; iv) avaliação diagnóstica, processual, e somativa dos alunos e v) intervenções ao avanço de habilidades metalingüísticas dos estudantes. A análise dos dados foi realizada qualitativamente e interpretada sob as teorias psicogenética, sócio-construtivista, lingüística e sociolingüística. Constatou-se que a variante lingüística rural não interferiu expressivamente na alfabetização das crianças, necessitando, porém, de intervenções enérgicas no que se refere às diferenças entre fala e escrita, bem como ao exercício metalingüístico. A substituição da variedade rural pela norma padrão se torna desaconselhável; antes, recomenda-se o acréscimo da modalidade culta ao seu discurso falado e escrito, quando se fizer necessário.