LIRA, Lidiane Evangelista (2011)
Formas de Manifestação e Apropriação do Discurso Reportado em Manuscritos Escolares de Alunos do 2º Ano do Ensino Fundamental: Um Estudo de Criação de Textos em Histórias em Quadrinhos
Formas de Manifestação e Apropriação do Discurso Reportado em Manuscritos Escolares de Alunos do 2º Ano do Ensino Fundamental: Um Estudo de Criação de Textos em Histórias em Quadrinhos.
Alagoas, 2011. Dissertação de Mestrado Acadêmico (Pós-graduação em Educação)
Universidade Federal de Alagoas.
Nome do Orientador: Eduardo Calil
Área: Ciências Humanas: Educação
Assunto: Em Análise
Referencial Teórico: Em Análise
Natureza do Texto: Em Análise
Resumo: A Importância do discurso reportado (DR) tem sido destacada por autores como Maingueneau (1996), Rosier (2008), Cunha (2008a, 2008b) que , apesar de bases teórico-metodológicas distintas, destacam, entre outros aspectos, a complexidade de suas formas de representação. Considerando que os elementos imagéticos e Linguísticos que compõem o sistema semiótico especifico das historias em quadrinhos favorecem a entrada da criança no mundo da escrita e pode contribuir para o processo de alfabetização, (RAMA et al, 2004), nossa questão parte dos trabalhos de Calil (2008b, 2009) sobre processos de criação de textual em alunos recém-alfabetizados e pretende mapear as formas de representação do DR que emergem em manuscritos escolares de alunos de uma escola municipal (Maceió). O corpus foi composto por132 manuscritos escritos a partir de 12 propostas de produção de texto. Estas propostas ofereciam aos alunos, agrupados em díades, uma história em quadrinhos da turma da Mônica de uma ou duas páginas, nas quais foram apagadas digitalmente todas as marcas linguísticas. A cada proposta era solicitado que inventassem o texto que julgassem necessário para acompanhar a sequência de imagens. Nossa descrição distinguiu quadrinhos com DR, quadrinhos sem DR e quadrinhos que continham DR e enunciados descritivos. As ocorrências registradas apresentam tipos distintos de enunciados, esta identificação, entretanto, traz como questão o modo como alunos se apropriam do gênero historia em quadrinhos, não sendo evidentes suas propriedades linguísticas. De um lado, os manuscritos apresentam a construção de enunciados que se referem à descrição da imagem, sem conectá-la nem com as características do gênero. De outro, na medida em que o gênero passa a ser efetivamente e sistematicamente trabalhado em sala de aula, esta forma cede espaço para construções com DR e, em particular, para aquelas em que há falas diretas do personagens. Pudemos mostrar que, na medida em que os alunos se apropriam do gênero eleito, a interpretação descritiva das imagens passou a ser sustentada pala estrutura do DD, isto é, passou a ter como ponto de apoio uma interpretação das possíveis falas do personagem, contudo as formas de apropriação que emergem nos dados revelam uma natural instabilidade na organização textual destes manuscritos.