GARKOV, Adriana Friedmann (2011)
Paisagens Infantis: Uma Incursão Pelas Naturezas, Linguagens e Culturas das Crianças
Paisagens Infantis: Uma Incursão Pelas Naturezas, Linguagens e Culturas das Crianças.
São Paulo, 2011. Tese de Doutorado (Pós-graduação em Psicologia da Educação)
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.
Nome do Orientador: Lúcia Helena Vitalli Rangel
Área: Ciências Humanas: Sociologia
Assunto: Em Análise
Referencial Teórico: Em Análise
Natureza do Texto: Em Análise
Resumo: Esta tese, ancorada em conceitos da Antropologia da Infância, tem, como objeto de estudo, um conjunto de manifestações multiculturais de crianças e grupos infantis, pertencentes a diferentes faixas etárias, contextos socioeconômicos e culturais, expressas dentro do território brasileiro. A seleção primou pela diversidade de suas expressões: imagens pictóricas, episódios lúdicos espontâneos, produções plásticas, dizeres, relatos, imaginações e outras formas. A coleta foi possibilitada por material obtido em diferentes fontes: duas pesquisas desenvolvidas junto a crianças por um Jornal do estado de São Paulo, de grande alcance; um documentário sobre brincadeiras e jogos realizados em diversos contextos culturais e projeto de incentivo à expressão infantil pela arte, desenvolvido em instituições de educação formal e não formal. As referências teóricas que alicerçaram as concepções de infância e sua multiculturalidade foram dadas por Cohn, Sarmento, Qvortrup, Corsaro, Hardman, entre os mais significativos. A análise das produções, constituiu-se em uma incursão reflexiva e sensível aos universos expressivos e labirínticos das crianças, possibilitada pela concepção de que as diferentes manifestações infantis podem romper estruturas rígidas e alçar vôos, permitindo-lhes a criação de cultura, e de que expressam aspectos sutis das identidades envolvidas. Para este fim, o trabalho adentrou áreas da antropologia, filosofia, psicologia, arte e educação dialogando com diversas fontes teóricas, entre elas Morin, Deleuze, Durand, Bachelard, Jung, Ariel, Bauman, Ostrower. A leitura realizada pautou-se pela idéia de circularidade entre produção de conhecimento e sensibilidade, entre teóricos, filósofos, artistas e crianças, entre observador e público observado, considerados na totalidade de suas existências. O objetivo do trabalho foi experimentar e propor leituras circulares nos caminhos de observação, escuta e leitura dos universos infantis, na busca de uma compreensão mais apropriada das linguagens e expressões verbais e não verbais das crianças e de suas infâncias, vividas em condições da pós-modernidade. Neste sentido, este trabalho buscou atiçar o diálogo entre a antropologia e a educação, apontando a necessidade de imersão no universo infantil, na alfabetização lúdica dos educadores e seu permanente auto-desenvolvimento, a fim de que se possam ressignificar propostas educacionais a partir das crianças, vistas em seus contextos. Esta tese, ao defender a importância de se dar voz às crianças, ouvi-las e compreendê-las, nas expressões de seu universo e de suas culturas, enfatiza o papel fundamental conferido aos educadores e prega a necessidade de mais pesquisas sobre esta temática