MENDES, Priscila de Moraes (2011)
Práticas Alfabetizadoras Emancipatórias: Buscando Pistas no Cotidiano Escolar
Práticas Alfabetizadoras Emancipatórias: Buscando Pistas no Cotidiano Escolar.
Rio de Janeiro, 2011. Dissertação de Mestrado Acadêmico (Pós-graduação em Educação)
Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro.
Nome do Orientador: Carmen Diolinda da Silva Sanches Sampaio
Área: Ciências Humanas: Educação
Assunto: Em Análise
Referencial Teórico: Em Análise
Natureza do Texto: Em Análise
Resumo: Esta dissertação tece reflexões sobre (a possibilidade de) práticas alfabetizadoras emancipatórias a partir do mergulho na prática alfabetizadora de uma professora que trabalha com a concepção discursiva de alfabetização (SMOLKA, 2003), em uma escola pública carioca. Experiências vividas no percurso investigativo enriquecem a discussão, cujo desenvolvimento aponta para a importância da pesquisa da própria prática e do outro no processo (auto)formativo docente, a fim de que professoras alfabetizadoras se tornem melhores docentes no exercício da prática e possam, cotidianamente, romper com práticas mecânicas e mecanicistas que tendem a negligenciar múltiplos saberes infantis, bem como negar o papel de autoria da criança na escritura de sua própria aprendizagem da linguagem escrita. Trata-se de uma tentativa de compreender e investigar o que a referida professora realiza cotidianamente com as crianças - alguns caminhos percorridos por ela ao tornar-se pesquisadora da própria prática e como a partilha de suas experiências cotidianas pode (ou não) contribuir para a visibilização de práticas alfabetizadoras originadas nos/dos/com os cotidianos escolares. Ao longo da pesquisa, a fim de aproximar-me um pouco deste cotidiano em suas particularidades, torna-se indispensável um percurso teórico-metodológico que permita reparar nas minúcias emaranhadas neste cotidiano. Sendo assim, reitero a impossibilidade de quantificar e controlar o investigado e vivenciado com professora e crianças. O distanciamento dá lugar à aproximação através do mergulho na realidade investigada, ao invés de uma observação postulada como neutra. É impossível controlar o que acontece no cotidiano escolar. Por isso a necessidade de assumir uma postura investigativa referendada por outros pressupostos teórico-epistemológicos. Nesse desafio, dialogo com Boaventura de Sousa Santos, sobretudo sua Sociologia das Ausências (Santos, 2008),que me ajuda a entender como saberes docentes vêm sendo invisibilizados. Michel de Certeau (2003) e a teoria das práticas cotidianas com a qual trabalha, por sua vez, me ajudam a perceber e melhor compreender o dinamismo das práticas das professoras nos/dos/com os cotidianos escolares, seu potencial transformador e as experiências emancipatórias existentes na escola. Também faço uso do que Ferraço (2002) denomina de metodologia efêmera. Além destes autores, outros e outras compõem a conversa travada nesta produção, como Sampaio (2008), Connelly & Clandinin (1995), Morin (ano) entre outros, os quais me ajudam a (re)ver, (re)visitar e (re)descobrir a escola, enxergando aí o que comumente o discurso hegemônico sobre (e não com) ela tem tentado invisibilizar. Por isso, me desafio na realização de uma investigação narrativa (CONNELLY & CLANDININ, 1995), pois é preciso ouvir e legitimar as vozes e experiências produzidas na e com a escola. Neste contexto, as narrativas da professora alfabetizadora ganham importância, pois através das artes de dizer, vão sendo criadas diversas artes de fazer e artes de pensar (CERTEAU, 2003). Para além das narrativas da professora no FALE, trago também fotografias da sala de aula e anotações do caderno de campo. Todas essas fontes de pesquisa, são utilizadas com o intuito de me aproximar um pouco mais da complexidade constitutiva da realidade estudada. A sensibilidade, os olhos e ouvidos atentos tornam-se instrumentos de pesquisa indispensáveis.